Einstein, com toda a sua sabedoria e inteligência, escreveu a seguinte frase: “A Mente racional é um servo fiel, a mente intuitiva é uma dádiva sagrada. Criamos uma sociedade que honra o servo e esqueceu-se da dádiva”. O que Einstein queria dizer com isto? E qual o impacto desta constatação em nosso dia a dia, em nossas vidas, trabalhos e organizações?

Vivemos em uma sociedade que a razão, o concreto é o que é valorizado. O olhar e todos os nossos esforços devem ser direcionados para metas, para o financeiro, para os resultados concretos, para as conquistas que temos e fazemos em nossos trabalhos. Processos, sistemas, performance são valores importantes e a nossa sociedade reconhece quem tem e utiliza, com maestria, o cérebro esquerdo, responsável pela lógica, conhecimento e números.

Mas, esquecemos de um ponto fundamental: temos um cérebro, divididos em 02 – o cérebro esquerdo, mas também o direito. Este é responsável pela imaginação, pela intuição, criatividade, pela visão mais sistêmica, sabendo lidar melhor com o todo. Para nossa sociedade tão racional de hoje, este lado do nosso cérebro não é valorizado. Para que a imaginação? Perda de tempo! Foque nos números e resultados que você recebe sua promoção e chegamos em nossas metas! Alguém já ouviu isto?

Porém, viver assim é viver pela metade. É viver sem o nosso potencial amplo, nossas capacidades complementares e infinitas. Principalmente hoje que as mudanças são tão rápidas e nem sabemos como se molda o futuro. Neste contexto complexo, aqui entra a importância da criatividade, da imaginação e intuição. E que bom se elas pudessem contar com o equilíbrio entre a visão do todo e o detalhe, o processo, a estrutura e a lógica.

Se o mundo nos pede mais adaptação e flexibilidade, por que nossos sistemas educacionais e nossas formas de aprendizagem nas organizações são ainda tão racionais? Não é o momento de ensinarmos a dar o poder necessário ao nosso lado intuitivo que temos para criarmos soluções diferenciadas e realidades mais prósperas? A mente intuitiva é uma dádiva sagrada. Somente quando a vivenciamos pelas práticas é que podemos sentir o poder do sagrado em nossas vidas, em nosso trabalho e no significado das organizações como agentes transformadores de uma sociedade.

Grandes saltos e avanços mundiais foram feitos através da prática de nosso lado sagrado, intuitivo. Os índios já sabiam disto quando utilizam a lógica para caçar, lançar as flechas, andar e saber do poder da palavra, mas ao mesmo tempo, utilizam a intuição para saber o verdadeiro segredo de como viver de forma plena a nossa existência, como identificar as medicinas das plantas diante de tanta diversidade. Através destes povos, fomos aprendendo, ao longo dos anos, como a criação de nossa mente, de nossas crenças, moldam a nossa realidade e como podemos mudá-la através de nosso lado esquerdo do cérebro. Sim, realizamos muitas mudanças ao utilizá-lo, ao valorizá-lo e ao trazê-lo, em equilíbrio, com nossa lógica e razão.

Assim, é o momento de repensarmos nossa forma de aprendizagem e desenvolvimento nas escolas e também nas escolas dos adultos: as organizações. É essencial agora que os profissionais possam ter contato com seus potenciais e utilizá-los em plenitude para resgatarem o sagrado em suas vidas, carreira e trabalho – aqui nasce o meaning para as pessoas e para as organizações.

Ana Cecilia Vidigal Passos.