Como recuperar uma equipe após uma crise econômica? Digo recuperar, pois após tantas mudanças nas organizações, como as demissões, pressões por “fazer mais por menos”,  problemas éticos ou morais, etc, é natural que os membros de uma equipe estejam repensando seus valores, seus papéis e o meaning de suas atuações. Eles precisam ser resgatados, trazendo a “cola” organizacional para o dia a dia novamente, construindo uma visão significativa e compartilhada de seus trabalhos.

O Saber Conviver é o segundo passo para que isto possa acontecer. No outro texto, falamos de se reconstruir através do Saber Ser (consolidar a identidade organizacional e também pessoal, como ponto de partida para viver o significado, viver os valores e construir uma gestão por propósito). Mas, o Saber Conviver é uma outra etapa fundamental para se conectar ao outro durante e após adversidades e crises. Qual o grau de confiança e de comunicação temos uns com os outros? Outro dia li um artigo que falava exatamente sobre isto: qual a nossa capacidade de se colocar no lugar do outro e termos a flexibilidade para olhar com o olhar do outro, saindo do meu lugar, da minha posição fixa, para construir algo diferente? Será que existe a possibilidade de construir uma nova verdade, a partir de dois pontos de vista (ou a terceira margem do rio)?

Dá para pensar bastante sobre o sentido da existência do Museu da Empatia em Londres. Ao chegar neste museu, os visitantes escolhem sapatos que querem calçar. Porém, estes sapatos vem com um fone no qual você escuta a história da pessoa que era dona do sapato escolhido. E imagine caminhar ao longo do rio Tamisa escutando a história de uma pessoa, caminhando com os sapatos dela? Sim, é um maravilhoso exercício de empatia, de compreender o outro olhar e respeitá-lo. Aqui tem outro ponto fundamental que vale a pena falarmos: respeitar é escutar sem julgamentos. É dizer e escutar uma percepção sem julgar ou acusar. É suspender isto para que possa escutar verdadeiramente ou para falar com autenticidade. Nisto, se inicia a confiança e o caminho ao encontro de um ponto em comum. Somos diferentes, mas temos pontos comuns e é, através deles, que começamos uma nova história, um novo momento e uma visão conjunta, compartilhada.

O que precisamos nos atentar é que após uma crise ou uma adversidade, os dois lados do cérebro precisam ser utilizados para reconstruir a equipe! Precisamos aplicar o lado esquerdo: a razão, com novas metas, objetivos, papéis e responsabilidades no grupo, se organizar para realizar, alcançar e produzir. Porém, não podemos esquecer do lado direito do cérebro que, segundo Einstein, é uma dádiva. É através dele que sonhamos novamente, criamos novas visões de equipe, que estabelecemos a confiança, que trabalhamos com a sensibilidade, a verdade, que exercitamos o “perdão corporativo” (valor que outro dia escutei de um CEO que me disse que gostaria de inserir isto nas competências/valores organizacionais. Achei fantástico!). Assim, o que fazemos é trazer para as organizações o equilíbrio entre estas duas dimensões cerebrais nas organizações.

É o momento de reconstruirmos as nossas equipes. Oferecer sentido, significado aos seus trabalhos, a construir pontos em comum para que as pessoas possam ver uns aos outros, seus pontos de vistas, suas verdades, a riqueza que cada um traz dentro de si para que possam aprender, ensinar, construir. O relacionamento, o saber conviver, é fundamental para trazer os resultados esperados com maior criatividade, alegria, eficácia e lucratividade a todos.

Ana Cecília Vidigal
porumavidacomproposito.com