Há anos, temos visto em paredes quadros sobre os valores organizacionais. Missão, visão e valores. Tudo muito definido, após alguns dias de trabalho e conversas, alinhando sobre o que somos, quem queremos ser e como vamos fazer isto acontecer. Os quadros são inseridos em várias paredes da organização a fim de que todos se lembrem e tragam estas palavras como principais referências para seus trabalhos e alcance de resultados. Mas, essas palavras ali ficam esquecidas. Apenas são quadros e nada mais.

Com a necessidade e busca das pessoas por significado em suas vidas, as organizações também tem feito o mesmo movimento. O motivo? São vários: desde internos, externos ou, até mesmo, os dois juntos. A necessidade de revisar o modelo de gestão, a concorrência, crise e mercados, a busca por fazer mais por menos, ou mais e melhor, traz uma provocação para um pensamento diferenciado ou fazer de forma diferente, afinal, como já disse Einstein: não se resolve os problemas da mesma forma de pensar na qual eles foram criados. É preciso pensar diferente.

Assim, estas inquietudes também chegaram aos quadros dependurados nas paredes. Se temos estes valores, onde está a prática deles? Temos que mudar a nossa forma de agir para que a mesma seja coerente com eles? Por que este quadro existe? Ele reflete o nosso modelo de gestão? O que temos que fazer diferente?

Vidas com significado e coerência é o que importa agora pois traz autenticidade e sentido. A nossa essência, a nossa alma organizacional e pessoal é que faz diferença. E os valores e propósito são o que nos dá vida, o que faz a vida valer a pena ser vivida. E, por isto, é o momento de trazer para a prática estes valores e este propósito. Mas, como mudar o modelo de gestão de uma organização, se baseando nestes aspectos?

Assim, como um ser humano, a organização também tem alma, coração, mente e corpo. Só podemos vivenciar os valores e o propósito, verdadeiramente, se estamos conectados e integrados nestas 04 raízes. A alma é a identidade da organização. É ela saber SER, se conhecer e definir seus valores, sua palavra, seu posicionamento, e, sobretudo, estar presente, consciente disto. É passar por um processo de cura para se estar presente, integrar as partes perdidas e voltar a ser um, identificando sua própria alma. O coração é o saber CONVIVER, onde as relações devem ser construídas e vivenciadas de acordo com os valores e o propósito. Como vamos vivenciar o nosso dia a dia, como criar relações sustentáveis, ganha.ganha, comunicar, sabendo respeitar, exercitar a empatia, saber co.construir e evoluir juntos. A mente é o saber CONHECER, onde se identifica sonhos, visões comuns e aprendizagens essenciais, alinhadas com os valores. Neste ponto, as aprendizagens não visam apenas o aprimoramento profissional, mas a formação de um cidadão, atuante na organização e no mundo. Por fim, o saber FAZER representa o físico da empresa, envolvendo seus processos, suas politicas e práticas a fim de todas elas estejam alinhadas com os valores e com o propósito.

Uma atuação integrada, e não mais por partes ou pontualmente, é necessária para se ter coerência. A palavra integridade já nos mostra isto: ser um. Por que é difícil ser íntegro? Porque esquecemos partes nossas pelo caminho? Talvez, pelas vaidades, pelo foco no que está fora de nós e não dentro de nós. Assim, o quadro na parede só terá sentido se uma intervenção sistêmica for feita, fortalecendo as 4 raízes e alinhando as mesmas em torno de um único objetivo: o genuíno propósito organizacional.

Ana Cecília Vidigal Passos
porumavidacomproposito.com