Estudando novas tendências em gestão de pessoas e as necessidades dos negócios, nos deparamos com um tema bem diferente: gestão e equilíbrio pessoal. Achávamos que era um tema distante do mundo corporativo e, para nossa surpresa, muito, mas muito perto.

Com a famosa crise política e econômica do Brasil e as demais mudanças globais, vivemos em um cenário de complexidade e de muitas incertezas. Realmente, está difícil de prever caminhos seguros ou planos estratégicos consistentes pela constante transformação. Por isto, é muito comum escutarmos nas empresas que “tudo muda o tempo todo por aqui”. Sim, a cada mudança, uma incerteza. E como gerenciar equipes, áreas ou negócios desta forma? Como gerenciar expectativas e emoções advindas de pressão, das ambiguidades, além de gerenciar as emoções dos outros que passam também pelos mesmos momentos de incertezas? Sim, a gestão exige um equilíbrio pessoal. Não é a toa que crescem a quantidade de livros de administração e gestão que falam sobre a inteligência emocional.

O equilíbrio pessoal envolve alguns aspectos , mas se inicia pelo emocional. É através das emoções que sentimos o contexto, a comunicação, as relações, e é por elas que nos expressamos ao mundo. Se as emoções não estão equilibradas ou não sabemos controla-las, possivelmente geramos conflitos ou dificuldades para construir uma visão compartilhada. Se temos inseguranças, passamos isto para a equipe e geramos assim pouca colaboração, co.criação e diálogo. A relação de confiança fica abalada e o ambiente de trabalho não se torna evolutivo. Se temos medo de perder o emprego em um momento de crise, possivelmente isto abala também nossa autoria e nossa capacidade de ver o erro como aprendizagem. E o que acontece quando isto se torna frequente? Podemos nos anular, esquecer de nossos dons, da nossa verdade e nos afastarmos de nós mesmos.

A cada dia mais, o instrumento que mais tem feito sentido no autoconhecimento e no desenvolvimento de executivos é o de inteligência emocional. Ele tem explicado porque a reação das pessoas é desta forma e não de outra. E aponta exatamente como o profissional poderá se desenvolver, se atentar, para mudar a si próprio e, consequentemente, a todos ao seu redor. E ainda temos uma evolução neste conceito: a inteligência cultural que é como você lida, reage ao diferente e apresenta capacidade de adaptação, flexibilidade e mudança.

O interessante é constatar que a inteligência emocional pode ser desenvolvida, iniciando o equilíbrio pessoal. E, a partir disto, outras intervenções se fazem importantes como, por exemplo, o foco, a presença. Estar presente no aqui e no agora. Conhecer suas verdades, escutar a dos outros, estabelecer vínculos importantes. A transformação e o equilíbrio pessoal também vem através do “por suas palavras a andar”, que quer dizer sobre a coerência, sobre pensar, agir e sentir da mesma forma, tendo um olhar genuíno para o benefício de todos. A mudança começa em si, e a partir dela, conseguimos realizar uma gestão eficaz e próspera.