Vamos refletir hoje sobre a inteligência cultural como fator fundamental na carreira e no desenvolvimento das lideranças.

O mundo está encolhendo e líderes de diferentes culturas estão descobrindo que eles precisam trabalhar juntos. As culturas são formadas de geografia, crenças, gênero, geração, organização e setor. E em um mundo global, onde atravessamos as fronteiras e vivenciamos outras culturas, precisamos de líderes que possam transitar pelo diferente; que possam se comunicar de forma eficaz e construir diversas redes necessárias para atuarem juntos em desafios comuns. Precisamos de líderes que não apenas coíbe de diferença, mas que transite em direção a ela. Assim, líderes que possuem Inteligência Cultural são aqueles que não veem a heterogeneidade como uma ameaça; mas sim como criativa, emocionante, inspiradora e enriquecedora.

Quando falamos de Inteligência Cultural, não podemos nos restringir apenas as diferentes culturas dos países, mas as próprias culturas diferentes existentes no próprio país ou até mesmo entre as organizações de uma mesma cidade. Lidar com o diferente, entender o outro, interagir com algo que é novo, incomum ou não familiar é o valor desta Inteligência, cada vez mais requerida no meio corporativo e social.

O que é Inteligência Cultural?

Inteligência Cultural (CQ) é a evolução natural das noções agora bem estabelecidas de Quociente de Inteligência (QI, porém, mais voltado para a capacidade cognitiva do profissional, ou seja, sua capacidade de “aprender a aprender”, a de adaptar diante de mudanças e de complexidades diferentes) e Inteligência Emocional (EQ – definida, por Daniel Goleman, como a capacidade de compreender e interagir com as pessoas). Bons líderes precisam destes três aspectos para liderar eficazmente em diversas culturas – e aqui leia-se diversas culturas organizacionais, regionais e mundiais).

Por que precisamos de Inteligência Cultural?

Grandes problemas não podem mais – se é que alguma vez poderia – ser resolvido por uma pessoa, uma cultura, ou mesmo um continente, operando sozinho. Então, a colaboração é crucial para gerar soluções mais criativas, inovadoras, engajadoras, gerando confiança. Atualmente, as organizações enfrentam desafios fortes internamente, exigindo que suas áreas (marketing, produção, vendas, finanças, RH, etc) trabalhem de forma mais colaborada, sugerindo espaços abertos e trabalhos co.criados de seus líderes e demais profissionais.

O mundo está clamando por inovação: novos caminhos, novas ideias, novos processos, novas tecnologias e novos empreendimentos. O segredo da inovação é como conseguir a unidade na diversidade e isto tem sido alcançado por líderes que possuem Inteligência Cultural que incentivam, testam, apreciam e prosperam com a diferença.

Podemos medir a Inteligência Cultural?

Apesar de ser um novo conceito, podemos sim mensurar a Inteligência Cultural de um profissional ou líder. Baseando-se na metodologia dos Oito Polos, desenvolvido por Julia Middleton, e integrando os resultados com a capacidade cognitiva e emocional (através de um processo de Assessment), podemos conhecer o nível de Inteligência Cultural e como ela pode ser aplicada, como uma vantagem competitiva, para a área, equipe, liderança, empresas nacionais e internacionais em suas relações com o negócio.

A Inteligência Cultural nos Negócios

Apesar de que o conceito da Inteligência Cultural tenha iniciado com uma direção maior para as empresas pequenas ou grandes, a fim de que elas possam compreender como fazer negócios globais, transitando por culturas diferentes, este conceito é apreciado também em situações:

Intra e interdepartamentais dentro de uma mesma empresa;
Construção de trabalhos em equipes com propósitos comuns;
Capacidade da Liderança em transitar por regiões/equipes diferentes, com costumes e estilos diferentes, formando novas equipes e se adaptando ao novo;
Capacidade de Diretores e CEOs dirigirem negócios com culturas organizacionais diferentes daquelas que ele possui em seus histórico profissional e carreira, etc.

Segundo Jim Sutcliffe, presidente da Sun Life Financial do Canadá, a Inteligência Emocional ajuda os gestores desenvolver o pensamento mais sistêmico, compreendendo o contexto mais amplo que opera a empresa. Segundo ele: “você precisa de Inteligência Cultural para executar um negócio hoje. O pensamento de negócios sempre foi pautado em clientes, finanças, pessoas, mas o que se precisa hoje é mais do que isto. É importante um gestor compreender o contexto no qual ele está operando, as comunidades que fazem parte. A atuação e percepção do gestor diante das diferenças culturais (dentro e fora da organização) impactam nas tomadas de decisões, no sucesso das mesmas e no engajamento das pessoas para leva-las a alcançar os propósitos comuns”.